Uma produção, profissional ou amadora, deve respeitar alguns princípios básicos tanto a nível criativo como técnico. Não se fazem omoletes sem ovos, logo não se faz um espectáculo sem luz ou som (e principalmente público).
Infelizmente esquecem-se muitas vezes da base das bases criativas e técnicas. Um técnico de som surdo, um técnico de luz cego, um técnico de vídeo (se houver vídeo na peça) estrábico ou míope (de preferência um estrábico míope) mais um apresentador gago e estamos a meio caminho andado para uma mega produção “amadora” cheia de cor, som e fúria.
Mas isto é só o princípio, este é o mal menor. O problema é quando se esquecem do público, quando faltam ao respeito a quem assiste aos seus devaneios.
Não se pode fazer um espectáculo totalmente virado para dentro, egocentrista. Assim deixa de ser um espectáculo e passa a pura masturbação artística. Não se pode fazer um espectáculo esquecendo a quarta parede, ignorando a dezena ou centena de pessoas que está ali a pagar.
Não se pode encher um palco, iluminado por um cego, com uma centena de pessoas ao monte e achar que a coisa vai funcionar. O resultado será uma mancha confusa e só se consegue ver mais ou menos uma meia dúzia de pessoas, os restantes são decoração.
Não se pode fazer um espectáculo com sketches de 5 a 6 minutos e ter 20 minutos de intervalo entre eles (já basta a puta da TVI).
Isto é insultar as pessoas, é uma total falta de respeito, quer pelo público, quer pelos intervenientes (que estão a dar a cara, pela merda que os outros fizeram).
Estou farto de espectáculos que não respeitam o público, que são tão virados para dentro que desligam de tudo o resto que está à volta e isto aplica-se ao teatro, à dança, ao cinema, à performance, à música, etc... Há tanta gente com talento nestas áreas e que está encostada para canto à procura de trabalho e eu pergunto-me: “Porquê??? Porque é que não se chama essas pessoas, nem que não seja só para aconselhamento?”
A arte não deve ser “masturbatória”, a arte deve servir-se, faz-se para agradar alguém e esse alguém não é o autor ou o actor ou o músico ou o dançarino ou o performance… é o público, o que paga para ver, o que no final aplaude em forma de agradecimento (que voltem as pateadas, por favor…). A arte deveria ser no seu expoente máximo o Club Silencio, uma mera ilusão!
É claro que há algumas louváveis excepções como o caso do Coro de S. Tarcísio, um coro amador feito por amadores que apesar de não terem meios, nem dinheiro, conseguem fazer espectáculos com qualidade profissional, sem nunca se esquecerem de agradar a quarta parede que nem sequer tem de pagar para ver os concertos...
março 07, 2009
A masturbação da Arte
fevereiro 27, 2009
Cinzeiros
Desde pequeno que me lembro de se oferecerem cinzeiros às pessoas no natal e noutras épocas festivas mesmo quando não havia fumadores em casa (o que eu sempre achei estranho oferecer um objecto que a família não vai usar), mas podia chegar sempre alguém que fumasse e não poderia ser mal recebido, por isso toca a encher a casa de cinzeiros e tornou-se num objecto decorativo (de vidro, porcelana ou cristal). Nalguns casos um objecto de tal valor "sentimental" que era proibido utilizar o cinzeiro, para não estragar (de que raio serve um cinzeiro se não se pode utilizar?). A minha casa não era excepção, nunca faltou cinzeiros apesar de os meus pais não fumarem e eu só começar a fumar aos meus dezassete anos (e mesmo assim não fumo em casa).
Desde o principio do novo milénio (talvez um pouco antes, com toda a paranóia anti-tabagista) o cinzeiro tornou-se num objecto maldito, desapareceu da vista, evaporou-se no ar. Agora é raro encontrar uma mesa ou móvel com um cinzeiro pousado e quando há cinzeiros estão escondidos no canto mais refundido da casa ou numa estante a uma altura inalcançável (obra de arte??), isto tirando obviamente algumas excepções de fumadores compulsivos em que a casa toda é um enorme cinzeiro.
Mas o que me mete mais confusão é que ainda há um pequeno número de pessoas que oferecem cinzeiros a casas onde não se fuma ("se queres fumar, vais lá para fora ao frio e à chuva"). “Ah! É muito bonito (Bonito? É só a merda de um cinzeiro!), mas aqui ninguém fuma.”, respondem com um sorriso amarelo rasgado, “De qualquer maneira muito obrigado!” e toca a pôr o cinzeiro na caixa de prendas rejeitadas e que servem para oferecer a outro papalvo no próximo natal (sim, ainda há muitas pessoas que oferecem no natal as prendas de que não gostaram no natal anterior).
Nós somos quase como os cinzeiros. Um pequeno utensílio que vira, inexplicavelmente, de um momento para o outro um objecto de decoração e de apreciação sobrevalorizada e também de um momento para o outro e de maneira inexplicável torna-se odiado, rejeitado e posto para canto sendo despachado mal se possa para talvez mais tarde vir a ser novamente apreciado e depois quiçá odiado, etc, etc, etc. Não é irónico, Alanis Morrisste?
fevereiro 21, 2009
Pensa sempre em grande
fevereiro 18, 2009
Jimmy
Comecei a chama-lo "Jimmy" desde muito cedo, numa "espécie de homenagem" ao Jim Morrison, mas que muita gente acha o nome um pouco piroso para um SEAT Ibiza CLX de 1995. Tirando esse aspecto acho que o resto é por inveja. Inveja de não terem um carro tão sofisticado como o meu, visto estar equipado com a melhor tecnologia de ponta.
Vejamos: Começa pela fabulosa cilindrada de 1100cc que nas descidas atinge velocidades vertiginosas e nas subidas, devido ao carro ser "pouco" pesado, consegue uma velocidade fantástica de 60 Km por hora, mesmo na auto-estrada e com um pé de fora a ajudar.
Depois temos o fabuloso "fecho central a quatro mãos", uma fabulosa maneira de distribuir tarefas e dar uma lição de interajuda como equipa.
Uma mala que obriga sempre a sair do carro para a abrir, quer faça sol ou chuva, mantendo as pessoas em forma com o entra e sai constante, ao contrário do que acontece na maioria dos carros que possuem um botão ou alavanca no interior para esta função, fazendo com que os condutores cedam ao pecado mortal da preguiça.
O rádio é tão sofisticado que até se confunde um painel da SEAT dissimulado na consola central com a vantagem de estar sempre em Mute interagindo perfeitamente com as 4 colunas topo de gama da marca "Népias", que impede assim de ferir os pobres ouvidos dos seus ouvintes. (Isto se ninguém começar a cantar, é claro.)
Um carro deste calibre tem obrigatoriamente de vir equipado com bons pneus. Ao principio tinha uns Michelin que não só davam estabilidade ao carro, como obrigavam a um esforço redobrado ao dar as curvas, visto que o carro veio equipado sem aquelas mariquices de direcção assistida para, mais uma vez, manter em forma os seus condutores. Mudou-se mais tarde para uns pneus de melhor qualidade da marca "Rafeirex" que adicionaram a vantagem de em dias de chuva nem ser preciso virar muito o volante, pois o carro acaba por fazer a curva sozinho. Às vezes até bem demais, acelerando assim o batimento cardíaco de quem conduz e dos transeuntes que assistem a tal peripécia evitando assim que uma pessoa sofra de baixas tensões, mostrando novamente uma preocupação pela saúde das pessoas.
Com esta tecnologia de ponta, acabo por poupar dinheiro em idas ao ginásio, ao cardiologista ou otorrino. Acho que é por isso que as pessoas invejam o meu carro e o facto de eu ainda ser magro.
fevereiro 15, 2009
fevereiro 11, 2009
Before & After
fevereiro 04, 2009
Obsessivo Compulsivo

Não saías de casa. Lá fora é muito perigoso. Eles andam por aí! Podes morrer atropelado ou levar um tiro na cabeça sem motivo algum. Não! Não saias. Cede à preguiça e esconde-te debaixo dos lençóis... mas antes barrica as janelas de tua casa, tranca as portas, eles vêem-te, eles perseguem-te. Arranja uma máquina de escrever para desabafares, compra um computador para te entreteres, mas nunca o ligues à net!! Eles sabem tudo o que tu fazes se o ligas à net. Nem ligues a TV. Não vejas esse lixo manipulativo. Só serve para te comerem a cabeça. Não. Não! Esconde-te debaixo da cama. Não saias de lá, nunca. Desliga o telefone, eles escutam-te, eles telefonam-te e dizem que é só um inquérito, mas no fundo estão-te a lavar o cérebro. Esconde-te, tranca-te, barrica-te, perde todo o contacto com o mundo. É a única maneira de preservar a pouca sanidade mental que te resta.
janeiro 23, 2009
Sprangeliza-te!
Antes havia o nada.
Depois apareceu o Pinguim com o Luís e a Fernanda.
Logo a seguir veio o Joaquim e do nada nasceu uma estrela.
Uma estrela tão brilhante que ninguém podia dizer que não se passava nada nas noites do Porto.
Agora já não há nem Luís, nem Fernanda, nem Joaquim.
Mas há o Paulo e o Rui e as segundas continuam a iluminar a cidade.
Enquanto o Paulo serve finos,o Rui lê calma e melancolicamente, acompanhado pelas notas dedilhadas pelo Blandino e a voz doce e suave da Sara.
E a magia renasce!
O Paulinho recita poemas com as mãos. O Blandino toca mais uma música. "Mais um fino!" e o Rui lê mais um poema do Joaquim.
Quem diz que não se passa nada no Porto, não sabe o que diz, pois basta descer os degraus do Pinguim e sofrer o processo de Sprangelização.
(Este texto vai ficar à espera ad eternum por uma foto do Tó Rodrigues)
janeiro 21, 2009
Juntos
janeiro 19, 2009
Olhar o Voar
dezembro 29, 2008
Filmes para o IPO

"Podes passar palavra? Filmes para o IPO"
Infelizmente esta mensagem é de 2005. Nesse mesmo ano, o próprio IPO de Lisboa emitiu um comunicado de agradecimento e solicitou que não fossem enviados mais filmes, pois a adesão da população foi tal, que eles já não comportam mais stock.
A ideia é original e o facto de a pôr a rolar na net teve o seu efeito, pois em pouco tempo conseguíram o seu objectivo, mas esqueceram-se que a Internet anda sozinha, dá muitas voltas e é muito difícil parar uma corrente. Mesmo que respondessem por e-mail com o comunicado para meia dúzia de pessoas (a maneira mais lógica seria essa. Para evitar uma corrente, criar uma contracorrente), essas pessoas liam-no, diziam "Ahh! Ok!" e apagavam a maldita mensagem sem a enviar às milhentas pessoas que têm nos seus contactos porque é uma mensagem sem interesse e não tem piada para mandar aos colegas(lá se vai a contracorrente...), mas se for um peditório para qualquer coisa, toca logo a enviar para 10 milhões de portugueses sem saber muito bem o que é... A prova é que estamos a entrar em 2009 (4 anos depois) e esta mensagem continua a rolar à força toda. (Já recebi 3 este mês, sem falar nas que já recebi ao longo destes 4 anos, algumas enviadas várias vezes pelas mesmas pessoas que não estranham todos os anos receberem a mesma mensagem...)
dezembro 22, 2008
Piadética

A piada de dizer piadas com piada, é ter piada.
Se a piada com piada for dita sem piada, a piada acaba por não ter piada nenhuma.
Mas se a piada sem piada for dita com piada, acaba por ter alguma piada.
Curiosamente a funciona melhor uma piada sem piada dita com piada
do que uma piada com piada dita com piada.
É uma piada de mais fácil acesso. Não é preciso pensar muito na piada da piada.
Mas quando uma piada com piada é dita com piada mas as pessoas não se riem, é porque as pessoas não conseguiram chegar (intelectualmente) à piada da piada, então aí a piada deixa de ser piada e passa a ser frustração.
dezembro 16, 2008
Veias Alcalinas

O que corre nas veias não é sangue, não!
É veneno. Puro veneno!
Sinto-o a ferver dentro das minhas veias.
Vai-me corroendo as entranhas.
Pouco a pouco.
Não o consigo evitar.
A minha última análise declarou:
" C3H5N3O9" em estado puro - Por favor, não agitar!
Sei que se um dia me cortar,
as gotas que caírem vão provocar muitos estragos.
dezembro 09, 2008
Dinheiro

Há uma música que anda a mexer comigo. Não é só pelo texto ou pela música em si. É também pela maneira como ela apareceu e se entranhou nos nossos ouvidos.
Um poeta recita, um músico gosta.
O músico pede o poema, o poeta dá.
E a partir daqui a magia está feita.
O músico vai para casa, experimenta e compõe.
Passados alguns dias apresenta a música.
O poeta gosta, o público adora e o músico sorri.
Quem dera que fosse tudo assim tão fácil!
Quem dera que se juntassem pequenos génios mais vezes...
Dinheiro
que estendes os tentáculos
e te multiplicas
que tudo usas
submetes
e mercantilizas
que tudo corróis
destróis
compras
e matas
que és Deus Todo-Poderoso
e que tudo reduzes a nada
Declaro
que não te pertenço
que não te obedeço
que não te sirvo
que não te quero
que não te amo
e que te mando para o caralho.
Poema: António Pedro Ribeiro
Música: Blandino
novembro 25, 2008
Luchy no Shéu com Diamantes

Noutro dia tive a infelicidade de me cruzar com um programa "fabuloso" a que se dá o nome de "Lucy", que por sua via é o diminutivo da sua apresentadora.
E é ver a Lucy a saltar, pinchar e rebolar enquanto tenta desesperadamente falar em Português e a fazer, de modo estúpido, perguntas estúpidas, a putos estúpidos. (Bem, nem todos, algumas excepções foram lá parar por causa de pais estúpidos)
Subitamente a Lucy aparece toda de branco a cantar canções da Celine Dion, Jennifer Lopez e Shakira.
"O amor e os sonhos são a inspiração dos temas deste CD!", diz ela emocionada enqunato cantas as suas próprias musicas num mar de fumo branco com luzes reluzentes por trás. Até parece que a Lucy está no "Shéu" com Diamantes.
E finalmente apercebo-me o quão à frente do tempo os Beatles estavam, pois só com uma boa porrada de LSD é que alguém pode achar piada àquela merda...
Culpado!
reside no facto de ter nascido.
De resto sou culpado em tudo.
Mesmo pelo facto de ainda estar vivo.
novembro 20, 2008
Infância Perdida
- Gostas de Picha? - perguntou ela à amiga com olhos de cachorrinho.
Entalei-me imediatamente com a salsicha que estava a comer com alguma volúpia. Não é que achasse a tema de conversa interessante, mas assim de repente, vindo do nada, ainda para mais estando a comer salsichas, parecia-me um pouco inadequado para um almoço informal.
- Picha? - retorqui, enquanto me debatia para tentar empurrar o maldito pedaço de salsicha pelo esófago abaixo.
- Sim. - respondeu ela, inocentemente - O Ursinho Picha. Deves-te lembrar dele. Faz parte da nossa infância.
Olhei seriamente para ela para ver se não estaria a gozar comigo. Os olhos pareciam-me sinceros.
- Acho que o urso se chamava Micha. - disse-lhe enquanto tentava recuperar o fôlego. - E se não me engano era comunista, sabes? Rússia. 1980. Tás a ver?
- Ah! Talvez fosse isso. - respondeu, um pouco desiludida. - Eu gostava muito.
Pausa. A conversa parou por breves momentos. O suficiente para eu recuperar a respiração e voltar a atacar alegremente a malfadada salsicha.
- E de Tao Tao? Gostas? - perguntou-me directamente.
A maldita salsicha voltou a entalar-se. Tentei beber a Coca-Cola sofregamente para empurrar a comida, mas a maldita entrou-me para o goto. Numa tentativa vã de tossir, subiu-me o gás para o nariz, fazendo-me novamente perder a respiração. Tossi e espirrei compulsivamente num tal estardalhaço que não tardou muito para as pessoas que se encontravam no café olharem todas para mim.
- Desculpa? - perguntei-lhe mal consegui recuperar a respiração.
- Tao Tao. - respondeu novamente com olhos de cachorrinho. - O ursinho panda muito querido. Era uma banda desenhada japonesa.
Nem sei muito bem como, mas acabei por lhe atirar com o resto da salsicha à cara, num misto de fúria e frustração.
Depois desse dia, jurei que nunca mais comia nada com forma fálica sempre que fosse almoçar com raparigas.
novembro 05, 2008
Mr. President
novembro 04, 2008
Nada!
novembro 01, 2008
Lancem foguetes ao céu!

Lancem foguetes ao céu!
Avisem que vai chegar um monstro.
Um monstro horrível como o mundo nunca viu.
Nasceu num país ao lado de Espanha
onde ninguém sabe muito bem onde é que fica
e muitos acreditam ser um mito
(como a Atlantida ou Shangri-La).
Avisem do perigo que correm!
É um felizardo que nunca teve sorte na vida.
Um oportunista que ajuda os outros,
sem pedir nada em troca.
Um ser desprezível que é capaz de sorrir
e fazer sorrir os outros.
Um verme sádico que nunca foi capaz de roubar ou matar
Quando eu morrer
Lancem foguetes ao céu
para os avisar que vai chegar um monstro
que cometeu o pecado de ter nascido ser humano!







